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Samba rock: os 10 álbuns que todo mundo precisa ouvir

Encontro entre Jorge Ben Jor e Trio Mocotó permite ouvir levada clássica do samba rock (Cássio Abreu/Wikimedia Commons)
Encontro entre Jorge Ben Jor e Trio Mocotó permite ouvir levada clássica do samba rock (Cássio Abreu/Wikimedia Commons)

O samba rock é um dos gêneros musicais que mais representam a cultura paulistana. Sua batida clássica foi moldada no Rio de Janeiro por Jorge Ben nos anos 1960, mas logo chegou a São Paulo onde se tornou muito popular.

A cidade de São Paulo oficializou em 2016 o Dia do Samba Rock, comemorado anualmente em 31 de agosto, dia de nascimento do cantor Jackson do Pandeiro.

É atribuída a uma gravação dele a criação do termo “samba rock”. Em 1959, Jackson lançou a música “Chiclete com Banana”, composta por Gordurinha e Almira Castilho.

A letra era, na verdade, uma resposta bem-humorada ao que era visto como uma invasão da música americana no Brasil: Jackson cantava que só ia “misturar Miami com Copacabana” quando o “Tio Sam” pegasse no tamborim, no pandeiro e na zambumba e aprendesse que “o samba não é rumba”.

“É o samba rock, meu irmão”, completa o refrão.

Mas o que hoje conhecemos como samba rock – e que costuma tocar em bailes – foi uma mistura que aconteceu anos mais tarde, especialmente quando Jorge Ben se uniu ao Trio Mocotó.

É no encontro registrado em álbuns como “Jorge Ben (1969)” em que é possível ouvir a levada clássica do samba rock, criando o balanço que embalaria os bailes black da periferia paulistana.

Ainda em 1969, surgia uma voz que ficaria marcada para sempre nesse estilo musical: Elizabeth Viana, a Rainha do Samba Rock, gravava seu primeiro disco, o compacto ‘Meu Guarda-Chuva’, de Jorge Ben. A canção estourou nas paradas e a apresentou ao Brasil inteiro.

Pensando em definir os trabalhos fundamentais do samba rock, a Cultura Black listou dez obras-primas de bandas e artistas. A seleção considera apenas álbuns convencionais – e não singles ou músicas incluídas em coletâneas – e não tem o objetivo de ser definitiva.

Por isso, convidamos você a deixar nos comentários quais trabalhos poderiam fazer parte dessa relação. Quem sabe não rola uma parte 2?

Os 10 discos

Jorge Ben – Força Bruta (1970)

Um ano depois de “Jorge Ben (1969)”, que já trazia “Cadê Tereza” e “Bebete Vãobora”, o cantor voltou ao estúdio com o Trio Mocotó para gravar “Força Bruta”, um disco mais focado no violão e na percussão. É nele que está “O Telefone Tocou Novamente”, uma das faixas mais lembradas dessa fase.

Dóris Monteiro (1970)

Uma das vozes mais elegantes da MPB, Dóris Monteiro gravou nesse LP canções de Jorge Ben (“Se Você Quiser Mas Sem Bronquear”), Roberto e Erasmo Carlos (“Coqueiro Verde”) e outros nomes que definiam a cena da época. No ano seguinte, ela emplacaria “É Isso Aí”, que virou um clássico do samba rock e chegou a ser regravado por Paula Lima.

Erlon Chaves & Banda Veneno – Banda Veneno de Erlon Chaves (1971)

Maestro, arranjador e um dos primeiros regentes negros do Brasil, Erlon Chaves emplacou com a sua Banda Veneno uma sequência de discos que traziam hits internacionais para o suingue brasileiro. No Vol. 2, de 1973, há covers de “Listen to the Music”, dos Doobie Brothers, e “You Are the Sunshine of My Life”, de Stevie Wonder, mas o ponto alto é a versão de “Carly & Carole”, composição do brasileiro radicado nos EUA Eumir Deodato, em homenagem às cantoras Carly Simon e Carole King.

Os Originais do Samba – O Samba É a Corda… Os Originais a Caçamba (1972)

O grupo que teve entre seus integrantes o inesquecível Mussum se tornou um dos grandes nomes do canto em uníssono e do bom humor na música popular brasileira. Logo em 1969, já emplacavam “Cadê Tereza?” e “Vou Me Pirulitar”, e em 1970, “Tenha Fé, Pois Amanhã Um Lindo Dia Vai Nascer”, todas de Jorge Ben. A sequência de sucessos culminou neste disco de 1972, puxado pela faixa “Do Lado Direito da Rua Direita”, de Luiz Carlos e Chiquinho.

Geovana – Quem Tem Carinho Me Leva (1975)

Maria Tereza Gomes, conhecida pelo pseudônimo Geovana, ganhou projeção no festival conhecido como Bienal do Samba de São Paulo. Seu álbum de estreia só saiu alguns anos depois, em 1975, e ficaria conhecido por faixas como “Quem Tem Carinho Me Leva” e “Amor dos Outros” e a “Pisa Nesse Chão com Força”. Foi esse trabalho que consolidou Geovana como uma das grandes vozes do gênero, rendendo-lhe, ao longo da carreira, o apelido de “Deusa Negra do Samba-Rock”.

Bebeto (1975)

Bebeto ficou conhecido como “Rei do Swing” e “Rei dos Bailes”. Seu disco de estreia, de 1975, já trazia as marcas registradas de toda sua carreira: arranjos de metais, muita percussão e o violão característico. Foi nesse álbum que ele gravou “Segura a Nêga”, sua primeira parceria com o guitarreiro Luis Vagner.

Trio Mocotó (1975)

Depois de ser peça fundamental no som de Jorge Ben, o Trio Mocotó, formado por Fritz Escovão, João Parahyba e Nereu Gargalo, lançou em 1975 seu terceiro álbum próprio, com faixas como “Dilê”, “O Meu Violão” e “Não Adianta”, esta última mais lenta. Em 2001, o grupo lançou o álbum “Samba Rock”, com mais faixas dançantes, como “Adelita” e “Voltei Amor”.

Branca di Neve – Branca Mete Bronca (1987)

Nelson Fernando de Moraes, o Branca di Neve, passou por grupos como Os Originais do Samba antes de lançar seu primeiro LP solo, “Branca Mete Bronca!”. Com clássicos como “Nego Dito”, “Pensamento Verde” e “Boca Louca”, ele passou a ser visto como o inventor do samba rock moderno por ninguém menos que Marco Mattoli, líder do Clube do Balanço.

Clube do Balanço – Swing & Samba Rock (2001)

Nascida entre amigos que queriam recriar os bailes black dos anos 1970, a banda paulistana Clube do Balanço lançou este disco de estreia em 2001, reapresentando o samba rock para uma nova geração. O álbum reuniu nomes históricos do gênero, como Erasmo Carlos, Marku Ribas, Bebeto e Luís Vagner, ao lado de artistas que estavam surgindo como Seu Jorge, Max de Castro e Paula Lima, sendo um dos grandes responsáveis pelo revival do samba rock a partir da virada do século.

Luis Vagner – Swingante (2001)

Conhecido como Guitarreiro, Luís Vagner apresenta uma síntese do samba rock em seu álbum “Swingante”, com faixas compostas pelo próprio Luís Vagner, mas que se tornaram famosas nas vozes de outros artistas. Entre elas, “Segura A Nega”, “Vou Pular Nesse Carnaval” e “Só Que Deram Zero Pro Bedeu”.